Gita - Raul Seixas


Essa aqui é uma das poucas musicas que gosto do Raul Seixas.
Claro que com toda minha curiosidade, sempre em busca dos porquês, fui pesquisar sobre a mesma.
Após 2 dias de pesquisa, está aqui o porque da música "Gita".
Toda explicação dessa música daria um livro.
kkk
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Escrita por Paulo Coelho / Raul Seixas.
A música Gita foi gravada em 1974 e faz parte do álbum Gita. 

     

Em uma entrevista á Sylvio Passos, Raul diz: As pessoas me perguntam como se fala ‘Gita’. A pronúncia correta é ‘Guita’. Vem do livro indiano ‘Bagavadeguitá’, que seria como a bíblia para nós. É um livro antigo e ninguém sabe quem escreveu. Deve ser um dos mais antigos da humanidade. Ele fala sobre a história da revelação do todo, do absoluto, que é Deus. A grande resposta. O resultado é que Krishna, que é a representação do todo, diz no livro para um guerreiro chamado Arjuna, sobre a chave da resposta para as perguntas. Quando falo na letra ‘Sou isso, Sou aquilo’, não sou eu. De maneira nenhuma. É cada um de vocês. Nós somos a coisa mais importante no universo. O todo quis assim. Somos o próprio processo histórico e o equilíbrio cósmico. Então, cada um é sua própria estrela. Cada um gira em torno de sim, embora, nesse plano, tenhamos que interagir. Acho legal elucidar a música, porque às vezes começamos a ouvir uma música e não sabemos do que se trata. Ela trata de cada pessoa mesmo".
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O rock and roll de Raul Seixas foi construído à base de muito misticismo, através da influência de líderes ocultistas e até de filósofos importantes.
O resultado foi a criação de músicas marcantes com significados capazes de fazer a nossa cabeça girar. A música Gita é uma dessas que trazem significados e visões diferentes.
Pensando no significado da música Gita, para alguns, pode parecer um doido e para outros, um gênio. E por que não os dois?
Somente Raul Seixas poderia escrever uma música como Gita, cuja inspiração veio do livro Bhagavad Gita, conhecido como um dos mais importantes textos da cultura indiana, escrito no século IV a.C.
A obra fala sobre quais seriam os caminhos para o homem evoluir espiritualmente, apresentados através de um diálogo entre Krishna, a representação de Deus, e Arjuna, um discípulo guerreiro.
Gita começa com Raul anunciando que boa parte da sua busca pela evolução espiritual e da consciência era feita perambulando pelo mundo.
Podemos compreender, no significado de Gita, o termo sendo utilizado com bastante ênfase e repetição, dando a entender que somos a conexão com tudo o que existe, as estrelas, o universo, o amor.
A letra sugere uma conexão a respeito da forma como nós costumamos buscar Deus. Cada um costuma fazer a sua conexão com Deus de acordo com a sua religião, mas a letra de Gita diz que Deus é você, e ele está em tudo.
Não existe distinção entre as funções que cada um desempenha na sociedade, nem importa o local onde se está agora. Deus pode ser acessado em qualquer lugar, mas sempre dentro de você mesmo.
As estrofes finais de Gita deixam isso bem claro ao mencionar eu sou o início, o fim e o meio. No início da música, logo na primeira estrofe, temos Raul afirmando que Deus falou com ele através de um sonho.
A canção parece explicar sobre como deveríamos reconhecer Deus. Não que isso se torne fácil, uma vez que exige uma transformação do ego, passando pela busca do despertar da consciência para enxergar a nossa própria luz. É um caminho individual.
O contato com a nossa essência parece ter sido complicado ainda mais pelas instituições religiosas, que fizeram com que o ser humano precisasse de meios para se alcançar o fim, quando na verdade não é bem assim, como sugere a letra de Gita.
 
A música Gita é baseada em um trecho do livro sagrado indiano Bagavad-Gîtâ: , que é considerado um dos mais antigos da humanidade. O livro fala sobre a revelação de Deus e a chave para responder às perguntas.
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A Profundidade Existencial de 'Gita': Uma Ode à Essência de Raul Seixas
A música 'Gita' é uma das obras mais emblemáticas do cantor baiano, conhecido como o 'Pai do Rock Brasileiro'. A canção é uma reflexão profunda sobre a existência, a identidade e a conexão do eu com o universo. A letra é repleta de simbolismos e referências filosóficas, o que a torna uma peça rica para análise e interpretação.
No início da música, Raul Seixas canta sobre uma busca incessante pelos 'quatro cantos do mundo', que culmina em um encontro onírico com uma entidade que lhe revela verdades profundas. A narrativa segue com questionamentos sobre a quietude do eu lírico, que não expressa amor de maneira convencional e parece distante,
mesmo estando presente. Essa introspecção sugere uma busca por compreensão de si mesmo e do mundo ao redor, uma temática recorrente na obra de Raul Seixas, que frequentemente explorava questões existenciais em suas músicas.
A repetição do nome 'Gita' evoca a ideia de um mantra, uma invocação de algo transcendental. A letra segue descrevendo o eu lírico como uma entidade onipresente e multifacetada, que é tudo e nada ao mesmo tempo. Essa dualidade reflete a complexidade do ser humano e a dificuldade de se definir em termos absolutos. A canção termina com a afirmação de que o eu lírico é 'o início, o fim e o meio', sugerindo um ciclo eterno de vida, morte e renascimento, uma ideia que remete ao conceito de eternidade e à filosofia hindu, da qual o título 'Gita' é derivado, fazendo alusão ao texto sagrado 'Bhagavad Gita'. A música 'Gita' é um convite à reflexão sobre quem somos e nosso papel no cosmos, um tema atemporal que continua a ressoar com ouvintes de todas as gerações.

Gita
Raul Seixas/Paulo Coelho
 
Eu, que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando
Foi justamente num sonho que Ele me falou

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado
Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar
 
Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar
Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou
 
(Gita! Gita! Gita! Gita! Gita!)
 
Eu sou o seu sacrifício
A placa de contramão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição
Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo

Eu sou o tudo e o nada
 
Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar
Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim
 
Das telhas, eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra A tem meu nome
Dos sonhos, eu sou o amor
Eu sou a dona de casa
Nos pegue-pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo
 
(Gita! Gita! Gita! Gita! Gita!)
 
Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão
Eu, mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio

O início, o fim e o meio
O início, o fim e o meio
Eu sou o início, o fim e o meio
Eu sou o início, o fim e o meio
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(Referências: Letras.com - Whiplash.Net - Wikipedia - Youtube - Imagens internet)

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